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Museu das Amazônias é inaugurado em Belém com a valorização das diversidades da região

  • Foto do escritor: Revista Cabanos
    Revista Cabanos
  • 21 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Milhares de belenenses agora podem desfrutar do novo espaço cultural que celebra a identidade Amazônida


Por Isabella Gabas e Dalton Maneschy

O Museu das Amazônias é um dos projetos culturais desenvolvidos pelo governo do estado do Pará para a Conferência das Partes. O espaço foi inaugurado no dia 04 de outubro, no armazém 4 do Complexo Porto Futuro II e contou com mais de 6,5 mil pessoas em seu primeiro dia. A inauguração conta com duas exposições, vigentes no espaço até 2026.


A primeira, “Amazônia” do cineasta Sebastião Salgado, exposta pela primeira vez no Norte, reúne quase 200 fotografias tiradas em expedições pela região ao longo de sete anos, apresentando fotos em preto e branco que refletem diferentes visões e vivências na Amazônia. Os povos originários e a preservação são os protagonistas das fotografias do cineasta. A segunda exposição, “Ajurí”, leva um nome indígena, se referindo  a uma prática coletiva entre a comunidade e foi criada pelo Instituto de Desenvolvimento de Gestão (IDG) especialmente para prestigiar a abertura do novo museu.


Exposição “Amazônia” de Sebastião Salgado. Foto: Isabella Gabas


Inaugurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma uma viagem feita a Belém e ao Marajó no início do mês de outubro, o espaço une diálogos sobre ancestralidade, cultura, ciência, natureza e futuro. Segundo Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, “o Museu das Amazônias nasce como um espaço de valorização do conhecimento, da memória e da biodiversidade, uma plataforma permanente com o objetivo de retratar um dos biomas mais importantes do mundo”.


O novo museu da cidade é fruto de uma forte parceria entre diversas instituições, dentre elas, o Museu Paraense Emílio Goeldi. O diretor do MPEG, Nilson Gabas Júnior, participou da criação e implementação do estabelecimento e esteve presente na sua inauguração.


“Nós, junto com o IDG, fomos as instituições responsáveis pela implementação do Museu das Amazônias. A concepção do museu, todo o processo de escutas demorou mais de 2 meses. Foram ouvidas mais de 60 instituições na Amazônia, que inclui tanto a legal brasileira quanto as partes localizadas em outros países”, pontuou.


Além disso, o diretor reiterou o papel do Museu Goeldi junto ao Museu das Amazônias, desde a formulação de um plano museológico até o desenvolvimento final: “Vamos continuar nesse comitê executivo, auxiliando a tomada de decisões, auxiliando no desenvolvimento da missão do Museu das Amazônias.” 


Joice Ferreira, ecóloga e pesquisadora, é uma das curadoras das exposições vigentes no MAZ. O processo de curadoria, segundo ela, foi uma integração das diversidades presentes na Amazônia. “Essa discussão foi bastante interdisciplinar, as questões de biodiversidade, a diversidade biocultural, foi um trabalho muito plural. Uma integração dessas diversidades ecológica, mas também das diversidades humanas, da diversidade de cultura.” O Museu, além de um espaço de encontro para os visitantes, é também uma homenagem à Amazônia, “mas principalmente é um tributo pela Amazônia, a esse grande território com essa diversidade imensa, com essa beleza e com essa importância não só para o Brasil, mas para o mundo”, finalizou a especialista. 


Exposição interativa “Fogo”. Foto: Isabella Gabas


O espaço é uma obra prometida pelo governo para COP 30, e tem recebido visitantes estrangeiros, como franceses e estadunidenses, que se interessam pela exposição de Sebastião Salgado, enquanto os visitantes locais chegam em busca dos artistas locais. A representação da cultura e diversidade local tem atendido as expectativas dos paraenses, como diz Ana Luiza Berredo, arqueóloga belenense: “Eu tava com uma expectativa alta e eu acho que superou as minhas expectativas, porque tá muito bonita a exposição, acho que tá muito bem pensada quando a gente vê outros museus de outros estados, principalmente no Sudeste que tem mais investimento. A gente vê que tá páreo a páreo com essas outras exposições, eu achei que tá super bem organizado.”


       Em meio aos elogios, a visitante ainda evidencia alguns pontos em que a exposição inicial poderia ser diferente: “Eu acho que aqui essa exposição do Sebastião Salgado é mais sobre grupos indígenas de fora do Pará. Então tem muita gente, muitos grupos do Amazonas, do Acre e fala um pouco sobre a nossa ancestralidade. Acho que é importante mostrar isso, só que não é só isso. As pessoas têm que ver também o outro lado da questão cultural dos ritmos, da música, das expressões. Isso eu espero que as pessoas também vejam na COP, a questão do Arraial do Pavulagem.”


Mapas da região amazônica na exposição “Ajurí”. Foto: Isabella Gabas


Existem também expectativas e planos para o Museu depois que a  COP 30 passar. Enquanto a população espera que seja feita a manutenção do espaço após a Cúpula, a equipe interna do MAZ planeja as futuras exposições previstas para 2026 e com o intuito de refletir as diversidades da região dentro do ambiente. Camila Costa, coordenadora de comunicação, falou sobre o planejamento do espaço: “A gente tem duas fases, a primeira é que a gente está agora e a segunda fase que é após a COP e leva em conta a permanência do Museu. Vai ser em junho de 2026, quando a gente abre o Museu com a exposição de longa duração na parte térrea e aqui [segundo piso] fica uma área de exposição de temporárias também. Então a gente sempre vai funcionar assim, vai ter a nossa exposição de longa duração e uma exposição temporária.” 


O espaço cultural se mostra como um legado à população e reflete a cultura paraense e amazônida. As exposições vigentes mostram recortes importantes da floresta, da população indígena e da tradição da Amazônia. 



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