Maracatu do Pé Rachado: A resistência cultural do povo negro em Rio Branco
- Revista Cabanos

- 2 de jul.
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Sob a liderança da mestra Vanessa França, o grupo Maracatu do Pé Rachado tem mantido viva a tradição do maracatu de baque virado em Rio Branco, promovendo a ancestralidade, espiritualidade e a resistência cultural do povo negro no Acre.
Por Ludymila Maia
Em meio à floresta amazônica, um som poderoso ecoa, ressoando a batida da resistência e a herança cultural do povo negro. O maracatu de baque virado, manifestação artística e cultural oriunda de Recife, encontra na capital acreana um terreno fértil para florescer e se reinventar. Sob a batuta da mestra Vanessa França, o grupo Maracatu do Pé Rachado tem cultivado essa tradição desde 2017, levando a percussão e os cânticos do maracatu às ruas, praças e eventos de Rio Branco.

O maracatu de baque virado é uma expressão cultural rica e complexa, caracterizada pelo uso de diversos tambores que criam ritmos intensos e percussões diversas. O maracatu é reconhecido como Patrimônio Vivo desde 2005 e Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2014. Suas raízes profundas estão entrelaçadas com as religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé, fazendo dele não apenas uma manifestação artística, mas também espiritual e religiosa.
Embora profundamente enraizado no nordeste do país, o maracatu de baque virado já transcendeu as fronteiras brasileiras e hoje é reconhecido mundialmente. Há festivais e encontros internacionais de maracatu, onde grupos de diferentes países se reúnem para compartilhar e celebrar essa tradição cultural. O grupo Maracatu do Pé Rachado faz sua parte aqui no Acre, fortalecendo a presença dessa manifestação cultural no estado e ajudando a manter o maracatu vivo e relevante no cenário global.
Em Rio Branco, Vanessa França, lidera o Maracatu do Pé Rachado com paixão e determinação. Desde a sua fundação, o grupo tem se empenhado em disseminar o maracatu através de apresentações vibrantes e participações em festivais culturais. "O maracatu é uma forma de resistência. É uma maneira de celebrar e honrar nossa herança africana, além de ser uma ferramenta poderosa de conscientização", afirma Vanessa.
O maracatu em Rio Branco não é apenas uma expressão cultural, é uma forma de resistência e reafirmação da identidade negra. Em um contexto onde a história e as contribuições do povo negro muitas vezes são subestimadas ou apagadas, o maracatu emerge como um símbolo de luta e perseverança. Além das apresentações públicas, o grupo promove também oficinas e ensaios abertos todos os sábados na Escola de Música. Essas atividades convidam a comunidade a se aproximar e aprender mais sobre a rica tradição cultural do maracatu.

Apesar do impacto positivo e da crescente popularidade do maracatu em Rio Branco, ainda existem desafios a serem enfrentados. A criação de espaços adequados para ensaios e apresentações, além de investimentos em infraestrutura e acessibilidade, são fundamentais para o desenvolvimento sustentável dessa manifestação cultural. "Precisamos de apoio e reconhecimento das autoridades locais para continuar nosso trabalho e expandir nossa influência. O maracatu não é apenas entretenimento; é educação, é história, é identidade", destaca Vanessa.
O projeto Maracatu do Pé Rachado se mantém ativo graças ao apoio obtido por meio de editais de cultura e dos cachês gerados pelas apresentações do grupo. No entanto, a continuidade do trabalho depende de investimentos contínuos e de oportunidades para se apresentar em eventos e festivais, tanto locais quanto nacionais.
A resistência e o poder do maracatu não passam despercebidos para aqueles que o experienciam de perto. A musicista Kellen Mendes, que participa do grupo, destaca o impacto do Maracatu do Pé Rachado e sua contribuição para a manutenção da cultura negra na Amazônia: "O Maracatu do Pé Rachado é a resistência da cultura negra, presente na Amazônia. A narrativa da cultura ancestral africana está presente nas letras, nas músicas, instrumentos e vestimentas."
Kellen Mendes também ressalta a importância da energia que o grupo traz para suas apresentações: "Eu faço parte do grupo há um ano mais ou menos e agora recebo o grupo no meu Show Ancestralidade, pela terceira vez consecutiva. A energia é imensa! Tão forte que seduz adultos e crianças, idosos e adolescentes! É o verdadeiro som de preto!".






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