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Festa da Chiquita, em Belém, é prima da Revolta de Stonewall

  • Foto do escritor: Revista Cabanos
    Revista Cabanos
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Por Emily Pinto


A Revolta de Stonewall foi o ponto alto da resistência LGBT contra a violência estatal no final da década de 60 nos Estados Unidos e deu origem ao que hoje é conhecido como Dia Internacional do Orgulho. Mas você sabia que enquanto esse grande marco para a luta LGBT acontecia em Nova York – a cidade que nunca dorme –, outro movimento de celebração da diversidade acontecia aqui na Amazônia? No Brasil, mais especificamente em Belém do Pará, a comunidade também se organizava com estudantes universitários e intelectuais, unindo lutas sociais com expressão artística.  Mesmo em meio à Ditadura Militar Brasileira (1964-1985), o bloco carnavalesco “Filhas de Chiquita” ia pras ruas de Belém desfilar com sua diversidade e rebeldia de quem é marginalizado pela sociedade.


Dia 28 de junho é o Dia Internacional do Orgulho, data importante para a celebração da diversidade sexual e de gênero, além de visibilizar a luta pelos direitos da comunidade LGBT+. A história por trás do porquê essa data foi escolhida como o Dia do Orgulho tem relação direta com a violação dos direitos da comunidade. No dia 28 de junho de 1969 a polícia de Nova York invadiu de forma violenta o bar Stonewall Inn, point de encontro entre pessoas LGBT+, e prendeu pessoas trans e drags, para fazer cumprir a lei que proibia práticas “travestis” na cidade. 


Foto: N.Y. Daily News Archive, Getty


A ação gerou revolta por parte da comunidade LGBT+ que, além de reagir à invasão e enfrentar os militares, iniciou uma série de protestos, dando início à Revolta de Stonewall, movimento de caráter político-social para o enfrentamento da discriminação e violência que estavam sofrendo. Um ano depois, em maio de 1970, ativistas locais organizaram um evento comemorativo para a data, chamado de Dia da Libertação da Christopher Street, uma caminhada do bairro de Greenwich Village, onde fica o bar Stonewall, até o Central Park. Assim deram início ao que hoje chamamos de paradas LGBT+. 


No Brasil, uma das movimentações mais antigas em prol da liberdade sexual, de expressão e gênero aconteceu aqui, em Belém do Pará. A festa da Chiquita, como conhecemos hoje, começou como um bloco carnavalesco nos anos 70, composto por pessoas da comunidade LGBT+. Neste período, o Brasil vivia os anos finais da sua Ditadura Cívico-Militar, tornando ainda mais árdua a luta por respeito à comunidade. Em meio ao caos, Luís Bandeira foi lantejoula no final do túnel, ao idealizar um movimento que une política, arte LGBT e fé, que segue até hoje sendo símbolo da existência e resistência da comunidade LGBT na Amazônia. 


Coordenada desde 1990 pelo artista Eloi Iglesias, a Festa da Chiquita chega à sua 50ª edição no ano de 2026, mostrando seu pioneirismo nas discussões e reivindicações acerca dos direitos LGBT. A manifestação cultural leva centenas de pessoas às ruas após a Transladação do Círio de Nazaré, que ocorre todo segundo sábado do mês de outubro, sendo um espaço seguro e afetivo para a celebração da diversidade sexual e de gênero. O movimento é considerado Patrimônio Cultural Imaterial da cidade de Belém e do Estado do Pará, além de ser reconhecido pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como manifestação cultural vinculada ao Círio de Nazaré. 


Foto: Pimenta Rosa


Das ruas de Greenwich Village, em Nova York, à Avenida Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, existem pessoas que se orgulham de ser quem são neste dia 28 de junho e nos outros 364 dias do ano. Este dia tem dois lados de uma mesma moeda, a celebração da identidade LGBT – a parte bonita –  e a luta pela igualdade e respeito – a parte que já deveria ter sido ultrapassada. As duas devem ser vividas intensamente, por uma sociedade mais diversa e igualitária, sem discriminação e com mais amor. Orgulhe-se de quem você é. 


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