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O amor LGBT+ existe o ano inteiro

  • Foto do escritor: Revista Cabanos
    Revista Cabanos
  • 27 de jun.
  • 3 min de leitura

Como a publicidade limita a vivência de pessoas LGBT+ somente ao mês do orgulho


Por Emily Pinto


Quando o relógio marca 00h do dia 1° de junho, a impressão é a de que as marcas correm para buscar uma caixa de lápis de cor a fim de modificar todo o seu site e feed. Mas, o que um arco-íris significa para quem enfrenta tempestade o ano inteiro? Na tentativa de demonstrar inclusão, muitas marcas acabam caindo no erro de estereotipar pessoas da comunidade LGBT+ em campanhas do mês de orgulho. No próprio Dia dos Namorados, comemorado dia 12 do mês de junho – mês do orgulho LGBT+ –,  grandes marcas deixam de incluir casais homoafetivos em seus comerciais e campanhas.


Campanha de Dia dos Namorados da Natura. Fotos: Reprodução


O publicitário Elson Santos destaca a problemática: “a publicidade é um reflexo social e que, por muito tempo, se naturalizou que casais heterossexuais eram os únicos possíveis a existir”. Algumas marcas  incluem casais da comunidade em suas campanhas, entretanto, raramente eles são os protagonistas ou parte da campanha visual dos banners e adesivos das grandes lojas. Por que excluir essas pessoas ou admirar quando uma campanha os contempla se elas possuem uma vida normal durante o ano inteiro? O mês de junho traz visibilidade para a luta dos direitos da comunidade LGBT+, mas, ele não é sinônimo de que essas pessoas existem apenas neste mês. 


A interseccionalidade também não é levada em consideração nas construções dessas publicidades. Pessoas com deficiência, trans, negras e plus size são deixadas de fora, como se elas não existissem e não fossem dignas de viver o amor especialmente como parte da comunidade LGBT+. Elson também comenta sobre este cenário: “temos um debate tão contemporâneo hoje que conseguimos enxergar que tivemos mudanças, mas ao mesmo tempo precisamos resistir para conseguir ter essas modificações”.  


A escolha de produzir campanhas que acolham este público deve ir além de conveniência ou interesse monetário e mercadológico, porque ser aliado da comunidade é mais do que colocar um arco-íris no seu template, é levantar sua bandeira e se posicionar a favor dos direitos dessas pessoas ao trabalho, à educação, à alimentação e sobretudo, à vida. Vida essa como a de todo mundo, como ressalta Anna Ferreira , estudante de publicidade de expressão não-binária e lésbica. “A nossa vivência, o nosso amor, o nosso afeto, as nossas relações, elas existem de uma forma tão normal quanto qualquer outra relação. Então, ao longo do ano, essas campanhas são limitadas e elas só são muito bem engajadas no mês do orgulho, né? Eles usam a nossa vivência, a nossa diversidade, não para representar, mas para ganhar dinheiro”, expressa a estudante. 


Como alguém que passou a expressar sua sexualidade livremente depois de adulta, Anna também fala sobre a importância de se enxergar nos espaços midiáticos e de propagandas. “Eu sinto que a gente precisa. A gente precisa se observar em todos os espaços para que a gente possa se sentir pertencente a eles”. Se engana quem pensa que, pela carência de representatividade, qualquer movimentação irá fazer o público LGBT+ se aproximar de sua marca, dependendo da estratégia de comunicação, a campanha está mais propensa a fracassar, na realidade.



Campanha de Dia dos Namorados O Boticário. Fotos: Reprodução


Inclusão não é sobre fazer campanha para o mês do orgulho, inclusão é colocar um casal homoafetivo em uma campanha de Dia dos Pais, uma mulher trans em uma campanha de coleção de verão, um casal composto por uma pessoa com deficiência em uma campanha de roupas íntimas. Inclusão é sobre naturalizar a vivência dessas pessoas na nossa sociedade, não agir como se fosse algo espetacular e restrito à determinado período. Que o mundo possa enxergar com ajuda da publicidade que um casal de mulheres pode financiar uma casa, que pais homoafetivos podem acordar de madrugada para dar xarope ao filho. Não só podem, como eles estão espalhados pelo mundo em seus ninhos de afeto fazendo exatamente isso e não é o preconceito e o conservadorismo que vão apagar suas existências e o direito de amar durante os outros 11 meses do ano.  Enquanto publicitário, Elson acredita que o futuro trará campanhas melhores. “Se antes a gente não falava nada, hoje a gente já fala um pouco. Talvez amanhã a gente vá normalizar, porque deveria ser normalizado”. 



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Logo da Cabanos (chapéu de palha e facão) na cor branca. A a mesma do cabeçalho.

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